Mais Poesia

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O que me inspira...

Tem dia que tudo é motivo de inspiração. Pode ser uma música, uma flor, um cheiro, uma lembrança, uma pessoa, enfim, motivos não faltam. Mas tem dias que não sai nada, nem uma única palavra, e nesses dias eu prefiro nem forçar, porque pra mim só serve quando as palavras saem "vomitadas". Fica meio nojento falar assim, mas foi assim que veio na cabeça e é assim que escrevo.
Duas pessoas me aconselharam a escrever desse jeito. Na verdade, três pessoas. Uma delas foi Charles Bukowski, que me tocou muito com um poema que vou postar aqui. E, além do mais, eu gosto de escrever sem me preocupar com quem vai ler, com o que vão pensar e com o que vão dizer sobre o que escrevo. Já me preocupei muito com isso e foi o que fez eu deixar de escrever por muito tempo. A melhor coisa é quando você começa a se desligar sobre a opinião dos outros e a ser você mesmo. Quando você se aceita, nada mais importa! Esse é o meu jeito de escrever e nada mais vai mudar isso.



Aí vai o poema de Charles Bukowski que tanto me inspira:

então queres ser um escritor?

(Tradução: Manuel A. Domingos)
se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa.
e nunca houve.

Um comentário:

Cláudia disse...

Isso mesmo!! Escreva, escreva sempre!